sexta-feira, 26 de junho de 2015

Carta do Recife

PROFESSORES/AS, ESTUDANTES, PESQUISADORES/AS, GESTORES/AS EM EDUCAÇÃO E INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS PRESENTES AO V SEMINARIO PAULO FREIRE, EM RECIFE, REAFIRMAM A RELEVANTE CONTRIBUIÇÃO DE PAULO FREIRE PARA A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO SOCIAL E DE EDUCAÇÃO, NO HORIZONTE DA JUSTIÇA SOCIAL
CARTA DO RECIFE
Reunidos no V Seminário Paulo Freire, promovido pela Cátedra Paulo Freire da Universidade Federal de Pernambuco, professores/as, estudantes, pesquisadores/as e gestores/as em educação e instituições educacionais expressaram seu repúdio ao posicionamento de manifestantes, nas mobilizações políticas de caráter conservador, que tiveram lugar no último dia 15 de março do corrente ano, na cidade de Brasília. Naquela ocasião conclamava-se, a contracorrente do que defendem as forças vivas da população brasileira, afeitas ao pensamento emancipador, um basta ao educador, Patrono da educação brasileira, Paulo Freire. 
A manifestação de repúdio expressa, originariamente, através de Carta Aberta da Cátedra Paulo Freire da UFPE e da Cátedra de EJA da Unesco, Núcleo UFPE, foi transformada em proposição dos participantes do Seminário, sendo aprovada, por unanimidade, no dia 08 de maio, passando a chamar-se Carta do Recife. 
Os participantes do V Seminário Paulo Freire vem a público expressar o seu reconhecimento a luta histórica, deste educador brasileiro, pela justiça social através da educação, ao seu compromisso com um projeto de sociedade e de educação que tenha como horizonte os direitos humanos e sociais e a relevância dos seus referenciais na construção de uma pedagogia crítico-transformadora.
Professores/as, instituições e entidades de classe que constituem movimentos sociais progressistas, assim como a produção acadêmica nacional e internacional, têm mostrado a universalidade da contribuição freireana para diversos setores e segmentos da sociedade e a relevância política, pedagógica e social do seu pensamento. Nessa perspectiva, temos afirmado que Paulo Freire é um pensamento vivo, vigoroso, atual, sem fronteiras, assim como é referencial para se pensar políticas públicas e práticas sociais e educacionais no horizonte dos direitos humanos e da justiça social. Contraditoriamente, a atualidade, o vigor e a contribuição política e pedagógica de Paulo Freire inquietam a grupos conservadores, que passaram a destilar ódio em diferentes contextos políticos e institucionais. Esse ódio insano se fez voz de repúdio a Paulo Freire, nos acontecimentos de 15 de março.
Por que tamanho ódio a um educador que, com suas ideias e o trabalho individual e coletivo, lutou pelos direitos humanos e por justiça social? Por que o rechaço a um cidadão brasileiro, e do mundo, que deixou como legado uma filosofia e pedagogia que têm como horizonte a humanização do humano? Por que conclamar a um basta ao educador que defendeu, com seu incansável trabalho na educação, a condição humana das gentes oprimidas, excluídas, invisíveis e assujeitadas?
Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira, formulou e praticou uma educação através da qual homens e mulheres se reconhecem e são reconhecidos como sujeitos do conhecimento e da história, não importando sua condição sócio-econômico-cultural ou seu território de vida e de trabalho. Formulou e praticou uma educação problematizadora que se realizou através de temas/questões que emergiam da realidade social, dos contextos de vida e das vivências de homens e mulheres, constituídos conteúdos da educação, os quais, quando problematizados, possibilitaram reflexão, apropriação crítica da realidade e ação transformadora. 
Embora, inicialmente, suas ideias e práticas tenham emergido como processos de alfabetização, era uma filosofia em ação que ganhava corpo e se experimentava no final dos anos 1950/1960 em diversos pontos do país (Recife, Angicos, Brasília). A experiência que despontava no Nordeste do Brasil, e que logo se espalhou pelo mundo, incomodou segmentos que haviam se apossado da direção política do país. Como registra a história recente, essa educação emergente e diferenciada foi interrompida no Brasil, uma vez que ameaçava o poder político e econômico constituído e arrancava do homem e da mulher brasileiros/as a sua condição de protagonistas das suas próprias vidas – vivências – e História. 
A educação proposta e vivenciada por Paulo Freire reconhecia a vocação ontológica de ser mais do homem e da mulher, e, por reconhecê-la, respondia com processos de produção do conhecimento e não com processos de transferência daquele e daquela que sabem mais para aquele e aquela que sabem menos ou que não sabem. Essa prática educacional foi interrompida com o golpe de 1964, mas não foi anulada.
O autoritarismo no poder, o golpe de estado, interrompeu a experiência no chão brasileiro, mas não o sonho coletivo, também sonhado por Freire que, apesar das adversidades, deu continuidade ao trabalho; permaneceu na luta e na construção da pedagogia da humanização fora do Brasil, mas sem se distanciar dele. 
Foi esse o “crime” que Paulo Freire cometeu – promover uma educação conscientizadora. Contribuir para o empoderamento de homens e mulheres através da educação. Criar as condições de visibilidade do homem e da mulher enquanto seres silenciados, marginalizados e coisificados.
O “crime” deste pedagogo foi ter afirmado, com a prática, que a educação é um ato político; foi ter honrado a opção política de colocar a educação a serviço da humanização, da libertação, da justiça e do direito. Foi essa pedagogia da leitura crítica e da intervenção na realidade que perspectivava um projeto de sociedade democrática que lhe valeu a prisão, o exílio, a perda dos direitos políticos em seu país. Mas, estávamos nos anos de 1960, era plena ditadura militar. E hoje?
O processo de redemocratização do país trouxe Paulo Freire de volta, entre outros e outras exilados/as. Voltou com seu sonho (e de muitos de nós) de justiça e com experiências consolidadas na andarilhagem por culturas diversas e desafios políticos. No tempo de exílio, respondeu aos convites com suas contribuições teórico-epistemológicas tecidas no Brasil, coerente com a opção política de colocar a educação como prática da liberdade, não se afastando do sonho que fazia da educação uma prática local que podia passar a ser planetária.
Paulo Freire é esse educador brasileiro, ao mesmo tempo recifense e cidadão do mundo; andarilho da utopia, que sem mágoa e sem medo (sabemos todos/as que com ele convivemos) lutou esperançoso pelo estado de direito, por uma sociedade justa e igualitária, pela condição de sujeito e de dignidade do homem e da mulher.
PAULO FREIRE É UM TESTEMUNHO DE DIÁLOGO entre culturas, de um pensar crítico esperançoso que fez da educação um dos instrumentos de luta e de construção social e que deposita sempre sua esperança na busca, cujo pensamento se constitui num paradigma para a educação no século XXI.
PAULO FREIRE É UMA PEDAGOGIA que tem como horizonte a construção de uma nova humanidade, uma educação libertadora e humanizadora, a qual estamos a carecer no século XXI no planeta Terra, e no Brasil em particular. Uma educação que, mais do que evidenciar, se comprometa com a superação de práticas minimizadoras, focalistas, exploradoras, preconceituosas e negadoras do ser mais.
PAULO FREIRE É UM COMPROMISSO SOCIAL E ÉTICO UNIVERSAL que somente aqueles/aquelas que colocam o direito e a justiça social como horizonte das políticas públicas, dos projetos e das ações podem optar. Por isso, Paulo Freire é uma opção política. Portanto, não é, nem esperamos que seja, pensamento consensual, nem opção universal. Não é, nem será, opção de alas e grupos conservadores, defensores de privilégios. Mas é e continuará sendo referencial para aqueles e aquelas que lutam por justiça social.


Recife, 08 de maio de 2015.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Nota de solidariedade ao Consulado da Venezuela em Pernambuco

Nota de solidariedade ao Consulado da Venezuela em Pernambuco

Pela presente NOTA DE DESAGRAVO, vimos trazer a nossa solidariedade militante ao Governo da República Bolivariana da Venezuela e em especial ao seu Consulado em Pernambuco, vítima de ofensas e tentativas de agressões no dia 20 de junho do corrente ano, sábado passado.
Na ocasião, cerca de cinco pessoas desconhecidas e raivosas, compareceram à sede do Consulado, na Av. Conselheiro Aguiar, no bairro de Boa Viagem, portando cartazes com acusações inverídicas, portando-se como ventríloquas dos Senadores da extrema direita do Brasil, que foram na semana passada à Venezuela, com a “missão” de ajudar a tentativa da CIA e dos monopólios dos EUA de desestabilizar a democracia na América Latina e, de modo especial, na Venezuela e no Brasil.
O interesse principal desta “missão” consiste em prejudicar as saudáveis e prósperas relações de colaboração existentes entre os nossos dois países.
Dirigimo-nos ao Povo irmão da República Bolivariana da Venezuela por meio de seu Consulado Geral em Pernambuco, especialmente, da sua Cônsul Geral, Dra. Sonia Jaqueline Alvarado Rossel para reafirmar os laços de amizade que unem nossos povos. Reafirmamos que o profundo compromisso pela independência e autodeterminação dos povos da “Nuestra America”, que nos irmanam desde Simón Bolívar e José Inácio de Abreu e Lima, General pernambucano, membro do Estado Maior do Exército libertador da Venezuela, encontram-se firmes, apesar da visível insatisfação e provocação das forças de sustentação política do imperialismo em nossos países.  
O grupo de Senadores direitistas, recém-derrotados nas eleições presidenciais, que integram a oposição ao governo brasileiro, tentava conseguir repercussão positiva no noticiário nacional e para isso, protagonizaram uma desesperada investida nos assuntos internos do vosso país, supostamente com o intuito de visitar “presos políticos” e defender a “democracia”, porém, resultou desastrosa a empreitada recebida por estes senhores, enfim, o tiro saiu pela culatra, na sábia linguagem popular.
A verdade é que esses senhores nunca se manifestaram a favor da liberdade e nem dos direitos dos presos políticos na época da ditadura militar no nosso país e nem nos demais países da América Latina e Caribe. Estes senhores nunca se manifestaram contra os atos de graves violações dos direitos humanos praticados na prisão de Guantánamo, onde o Governo dos EUA mantém 900 afegãos e iraquianos sem processo judicial e submetidos constantemente a torturas. Nunca esses senadores exigiram a prisão do terrorista Luis Posada Carriles, condenado pela justiça da Venezuela e de Cuba pela sua participação na explosão de um avião comercial da estatal Cubana de Aviación que sobrevoava Barbados em 1976, matando 73 passageiros civis inocentes.
 Aquele a quem chamam de preso político, na verdade, é um cidadão que responde a um devido processo legal por ter incentivado, em 2002, um verdadeiro atentado à democracia, com a promoção de um golpe que tentou afastar o presidente eleito Hugo Chávez do poder. Além disso, esse cidadão, com quem os senadores oposicionistas brasileiros se solidarizam, em 2008, como prefeito da cidade de Chacao, foi condenado por mau uso de recursos públicos. Trata-se do Sr. Leopoldo López, um homem rico, pertencente ao setor industrial e petrolífero, formado em Harvard, e líder de grupos da extrema-direita venezuelana. Muitos o têm, inclusive, como colaborador da CIA.
Repudiamos as mentiras veiculadas na imprensa que tentam responsabilizar o governo venezuelano pela obstrução da via pública, quando na verdade o congestionamento, comum às grandes cidades, foi provocado por um incidente de trânsito.Repudiamos, igualmente, as mentiras veiculadas pela grande imprensa reacionária, acerca do risco à integridade física da comitiva, que pelo contrário, contava com a proteção de forte efetivo policial.
Segui firmes no vosso caminho de construir uma sociedade justa, fraterna e solidária, livre do desemprego e da fome que resultam da monstruosa desigualdade social. Saudamos a vossa conquista de erradicar o analfabetismo e de promover o controle social das vossas riquezas minerais e naturais.
Os movimentos sociais brasileiros que atuam em Pernambuco e subscrevem esta NOTA DE DESAGRAVO, reiteram sua hospitalidade a este Consulado Geral da República Bolivariana da Venezuela, reafirmam e apoiam a cooperação baseada no respeito mútuo entre os nossos povos, a autodeterminação dos povos, e repudiam quaisquer tentativas de golpe de Estado e ameaças, como as já anunciadas recentemente pela própria Casa Branca ao Governo democrático e constitucional da República Bolivariana da Venezuela.

Recife, 22 de junho de 2015.

Centro Cultural Manoel Lisboa (CCML)
Movimento de Trabalhadores Cristãos (MTC)
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Central dos Movimentos Populares (CMP)
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)
Grupo Mulher Maravilha
 Gabinete de Assessoria Jurídica às organizações Populares – Gajop
Movimento Tortura Nunca Mais - PE
Movimento de Mulheres Olga Benário
União dos Estudantes de Pernambuco – UEP-Cândido Pinto
Diretório Central dos Estudantes DCE-UNICAPE - Universidade Católica de Pernambuco
Diretório Central dos Estudantes DCE-RURAL - Universidade Federal Rural de Pernambuco
Diretório Central dos Estudantes DCE- da Universidade de Pernambuco
Diretório Central dos Estudantes DCE – FAFIRE
União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco – UESPE
União dos Estudantes Secundaristas de Caruaru – UESC
União dos Estudantes Secundaristas de Petrolina - UESP
Associação Recifense dos Estudantes Secundaristas – ARES
Associação dos Estudantes Secundaristas de Jaboatão
Sindicato dos Operadores de Telemarketing - SIMTELMARKETING
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil de Ipojuca e Região
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Calçados de Carpina e Região
Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Caruaru
Sindicato dos Trabalhadores da indústria da Construção Civil de Petrolina
Movimento Luta de Classe
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB
Organização de Luta por Moradia Popular – OLMP
Movimento Nacional de Luta por Moradia – MNLM
Movimento de Luta Popular – MLP
Movimento de Luta e Resistência Popular – MLRP
Unidade Popular Pelo Socialismo - UP
Gabinete do Vereador Marcelo Santa Cruz de Olinda (PT)
União dos Estudantes Secundaristas de Olinda – UESO

Partido Comunista Revolucionário - PCR

domingo, 21 de junho de 2015

Desobediência Tecnológica :: Ernesto Oroza :: Caixa Cultural Recife

Se você ainda não viu, ainda dá tempo de ver! Imperdível!


Exposição inédita do artista plástico cubano Ernesto Oroza, que tem como principal foco investigativo a plástica dos objetos híbridos. De 28 de maio a 28 de junho estarão expostos 60 objetos transformados pela população cubana e coletados pelo artista, além de 200 fotografias e 15 vídeos. A abertura acontece às 19h30 do dia 27 de maio e contará com a presença do artista. A visitação gratuita acontece das 10h às 20h, de terça a sábado, e das 10h às 17h aos domingos.

Ernesto Oroza é artista contemporâneo, designer e autor de livros sobre a criatividade popular expressa em objetos reinventados. Ele se inspirou na “ciência” da população cubana, habituada a conservar fragmentos de objetos que podem ser reaproveitados como solução para os problemas do cotidiano. Um exemplo são bandejas de alumínio, usadas nas merendas escolares, que viraram antena de tevê. Para o artista, o ato de reparar e re-significar objetos “cria um salto imaginativo que vai além da passividade imposta pela indústria e pelos sistemas, mesclando a necessidade com o ideal de liberdade”.
A exposição contém ainda fotos do projeto Arquitetura da Necessidade, que mostra fachadas de casas cubanas transformadas por seus habitantes, e do projeto Ujamaa, que são cadeiras e bancos improvisados com pedaços de madeira. Além disso, haverá exibição do vídeo Desobediência Tecnológica e dos livros “Com nosso próprio esforço” e “Livro da família”, que ensinam como refazer objetos a partir de materiais diversos.
Data: 27/05/2015 a 28/06/2015
Local: Caixa Cultural (Endereço: Av. Alfredo Lisboa, 505 - Bairro do Recife)

Entrada gratuita!
Maiores informações: https://www.facebook.com/desobedienciatecnologica?fref=ts

segunda-feira, 15 de junho de 2015

XIII Encontro Internacional de Cátedras Martianas :: 28, 29 e 30 de outubro de 2015

O estado de Pernambuco novamente receberá importante reunião de pesquisadores da obra do cubano José Martí. O XIII Encontro Internacional de Cátedras Martianas, que acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de outubro de 2015, será promovido pela Cátedra José Martí da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pelo Campus Vitória de Santo Antão do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), sede do mais recente espaço martiano no Brasil, a Cátedra José Martí – Francisco Julião. O evento, cujo tema é José Martí e os processos emancipatórios de Nossa América: “ignoram os déspotas que o povo, a massa dolorida, é o verdadeiro chefe das revoluções”, tem como objetivo promover um espaço de diálogo e de importantes debates sobre a vasta obra de José Martí, de outros importantes pensadores latino-americanos e sobre os destinos de nossa América. As atividades, que ocorrerão na UFPE (Campus Recife) e no IFPE (Campus Vitória de Santo Antão), estão compostas por conferências e mesas redondas, segundo os seguintes eixos temáticos:

- Educação popular e Educação do campo: Martí e Julião;
- Descolonialidade: a advertência martiana como desafio da liberação;
- O Manifesto de Montecristi: vigência e urgência a 120 anos de sua publicação;
- Poesia, cultura e literatura no quefazer criativo emancipador;
- Educação e desigualdade social;
- Imagens de nossa América.

As inscrições de trabalhos e inscrições de ouvintes podem ser realizadas através do endereço eletrônico: encontromartiano2015@gmail.com

A convocatória do XIII EICM pode ser acessada na íntegra em:  http://catedrajosemarti.blogspot.com.br/2015/05/convocatoria-xiii-encontro.html

XIII Encontro Internacional de Cátedras Martianas servirá também como atividade preparatória para a II Conferência Internacional Com Todos e para o Bem de Todos, que por sua vez acontecerá na capital de cubana, a cidade de Havana, em janeiro de 2016. Auspiciado pela UNESCO e pelo Sistema José Martí em Cuba é uma realização do Projeto José Martí de Solidariedade Internacional.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Próximo encontro :: Grupo de Estudos e Pesquisa José Martí

Após longa jornada de eventos e atos em Solidariedade a Cuba, como foram a "Mira Cuba: mostra de cinema cubano", a "NasceCuba: nossa festa em Peixinhos" e, por fim, a culminância, no último dia 6, da "XXII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba", evento exitoso e de grande magnitude e importância políticas, retomamos as atividades de nosso Grupo de Estudos e Pesquisa José Martí na próxima sexta-feira, dia 12 de junho, às 14h30m, na Cátedra José Martí. Esse é dia de finalizar a leitura e discussão do livro "José Martí: pelos caminhos da vida nova" e direcionar aos novos textos.

Contamos com a presença de todos para um balanço e informes sobre a organização do XIII Encontro Internacional de Cátedras Martianas, que acontecerá em outubro próximo no Centro de Educação e no IFPE, Campus Vitória de Santo Antão.

"La libertad es el derecho que tienen las personas de actuar libremente, pensar y hablar sin hipocresía" (José Martí)

Atenciosamente,

Cátedra José Martí - UFPE

Carta da 22ª CONASOL




Carta da 22ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, ao povo e ao governo do Brasil e de Cuba


Recife-PE, 06 de junho de 2015

Nas hospitaleiras cidades de Recife e Olinda, Estado de Pernambuco, terra de tantas revoluções libertárias, de heróis patrióticos e internacionalistas, como José Inácio de Abreu e Lima, Miguel Arraes, David Capistrano e Gregório Bezerra, no dia 6 de junho de 2015, os 480 delegados e convidados à 22ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba celebramos, junto a Gerardo Hernández Nordelo, uma das mais importantes vitórias do movimento de solidariedade internacional com a Causa dos Cinco: estes voltaram à Pátria, ao seio do povo que defenderam de forma digna e heroica, e, de onde seguem, com mais força e convicções, defendendo o Socialismo que cubanas e cubanos assumiram, por esmagadora maioria, como opção histórica de desenvolvimento social, democracia e justiça para todos.
O regresso dos Cinco demonstrou o valor insubstituível da solidariedade na defesa das causas justas dos nossos povos e confirmou a utilidade dos esforços como o que realizamos hoje.
Somos protagonistas de uma das maiores Convenções de Solidariedade celebradas até hoje no Brasil, com recorde de delegados (480), de organizações de solidariedade representadas (54), de estados com delegações presentes (18) e de movimentos sociais e partidos amigos de Cuba. Fato que nos orgulha e estimula.
Constatamos, com satisfação, que a expansão do movimento de solidariedade a Cuba, durante os últimos anos, foi muito mais que quantitativa, foi qualitativa: se evidenciou uma crescente diversidade das forças sociais interessadas em promover as relações de amizade e solidariedade mútua entre nossos respectivos povos; fica cada vez mais claro que, desde as organizações de solidariedade, podem-se gestar iniciativas que favoreçam o crescimento das relações bilaterais, inclusive em nível de Governo; e se tornaram mais objetivas as relações plurais cultivadas por nossos dois povos nos últimos anos.
Seguiremos firmes no nosso caminho. Defendemos a cooperação, a solidariedade e a amizade entre todos os povos do mundo. E esta é também a característica fundamental da política externa cubana. Assim sendo, nos somamos à defesa de uma solução pacífica dos conflitos internacionais em que os verdadeiros interesses dos povos e nações sejam respeitados. Confiamos que o povo, que soube escolher o caminho da revolução socialista, da liberdade e da autodeterminação, com inauditos sacrifícios, jamais se submeterá ao perverso domínio do capitalismo e que continuará firme na construção do Socialismo.
Por isso, devemos enfrentar a guerra midiática permanente realizada pelos EUA, que busca caluniar, isolar e solapar o processo socialista cubano.
Continuaremos firmes na batalha pela soberania, pela democracia, pela liberdade e pelo socialismo em Cuba e no mundo.
Levaremos a nossa luta pela causa da vida, pela justiça social, pela paz, pelo fim do terrorismo de Estado até as últimas consequências. Por isso, exigimos a condenação dos verdadeiros terroristas, como Luis Posada Carriles, agente da CIA, declarado terrorista pela justiça cubana e pela justiça da Venezuela, autor do atentado ao voo 455 da Cubana de Aviación, em 1976, que sobrevoava os céus de Barbados, matando os 73 passageiros inocentes. Por isso, seguiremos firmes no nosso caminho e ao lado de Cuba e também da Venezuela!
Defendemos a integração solidária dos povos da América Latina e Caribe e de todo o mundo, por isso, exigimos o fim do criminoso bloqueio econômico, que, até 2013, trouxe perdas superiores a US$ 117 bilhões, mais que o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) de Cuba, causando danos irreparáveis e desumanos à indústria, à agricultura, ao comércio e ao povo cubano.
De igual modo, exigimos o encerramento imediato da prisão de Guantánamo e a sua indiscutível devolução ao povo cubano, como a única maneira de pôr fim às graves violações dos direitos humanos que comete o governo dos Estados Unidos nesta base militar, que fere a soberania da nação cubana.
Tentam em vão, mas não apagarão jamais da história a trajetória de solidariedade humana da revolução cubana: desde 1963, quando partiu para a Argélia a primeira brigada médica cubana em missão internacionalista, 131.933 profissionais da saúde colaboram com outras nações; atualmente cerca de 25 mil médicos e mais de 50.000 especialistas permanecem prestando esses serviços, inclusive no Nepal, onde uma brigada médica cubana integrada por 49 profissionais presta socorro às vítimas do terremoto de 25 de abril deste ano.
Neste sentido, somos imensamente gratos pela realização do extraordinário trabalho dos médicos cubanos em nossos municípios distantes e nas periferias das grandes cidades do Brasil por meio do programa Mais Médicos; somos pelo reconhecimento automático, como faz o governo argentino, dos médicos formados na Escola Latino Americana de Medicina (ELAM), que, além da capacitação profissional e técnica, ensina também a solidariedade e o humanismo como ferramentas para salvar vidas.
Essa deverá ser a base política de construção de uma nova sociedade que os povos do mundo inteiro desejam. Não queremos tropas militares invadindo países para saquear suas riquezas, e sim médicos que salvem vidas, educadores que fomentem valores de solidariedade, técnicos que preservem o meio ambiente, enfim, homens e mulheres que sirvam a paz e a cooperação entre os povos.
Não nos esqueceremos jamais que os resultados extraordinários alcançados pelos nossos irmãos cubanos, como o fim do analfabetismo, da desnutrição infantil, a universalização da educação, inclusive de nível superior, os altos índices de expectativa de vida e o menor índice de mortalidade infantil do mundo só foram possíveis graças à sua revolução, que nacionalizou as terras, os bancos e socializou o conjunto das riquezas produzidas pelo povo cubano ao longo da sua história.

Por tudo isso, exigimos:
Fim do iníquo, ilegal e criminoso bloqueio estadunidense a Cuba!
Fechamento imediato da prisão e da Base de Guantánamo e sua imediata devolução aos seus verdadeiros donos, o povo cubano!
Fim das ações terroristas, punição para Posada Carriles e todos os criminosos impunes!
Fim do terrorismo midiático contra Cuba!
Fora com a 4ª Frota dos mares latino-americanos e caribenhos!

Viva o 56º Aniversário da Revolução Cubana! Viva o Socialismo!
Viva a libertação dos Cinco Heróis!
Pela autodeterminação e unidade da América Latina e Caribe!

XXII CONASOL




A 22ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba se converteu na maior construção, dos últimos anos, de unidade de partidos, entidades de classes e organizações para a cooperação e a defesa do povo cubano realizada no Brasil.
Pernambuco sediou, nos dias 04, 05 e 06 de junho, a 22ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, com a presença de 480 delegados vindos de 18 estados, representando 54 organizações. A abertura aconteceu na Associação de Ensino Superior de Olinda (AESO), com a exposição Fidel es Fidel, do fotógrafo cubano Roberto Chile. Em seguida, a mesa oficial de abertura contou com as saudações do prefeito de Olinda, Renildo Calheiros, do vice-prefeito de Recife, Luciano Siqueira, do secretário executivo da Casa Civil do Estado de Pernambuco, Anchieta Patriota, do presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, Edival Cajá, do diretor do Instituto Cubano de Amizade aos Povos (Icap), Roberto Hamilton, e da embaixadora de Cuba no Brasil, Marielena Ruiz Capote, além de representantes das organizações envolvidas na execução do evento.
“A 1ª Convenção levantou duas bandeiras na construção da unidade de ação de diferentes partidos e organizações: a suspensão do bloqueio dos EUA e a recuperação de Guantánamo, ocupada pelo imperialismo em 1903. Outra bandeira erguida depois foi a libertação dos Cinco Heróis. E esta é a grande conquista do movimento de solidariedade dos povos com Cuba. As outras duas bandeiras são apenas questão de tempo para conquistarmos”, declarou Edival Cajá, que coordenou a comissão executiva da Convenção.
Em sua fala, a embaixadora Marielena Ruiz também celebrou a conquista da libertação dos Cinco, destacando que esta foi uma vitória dos movimentos em todo o mundo, e enfatizou a importância da unidade nesta conquista. “Depois de todos esses anos, brasileiros e cubanos estão cada vez mais próximos. A vinda de um dos heróis para este evento é um agradecimento a todo suporte dado pelo Brasil”, declarou.
Os debates que se seguiram foram realizados no auditório da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP), em Recife. Temas como o bloqueio econômico e financeiro, a reabertura das relações diplomáticas entre EUA e Cuba, a luta pelo fechamento de Guantánamo, o papel da juventude na construção do socialismo e a importância de uma rede de comunicação eficaz para contrapor as mentiras da mídia burguesa sobre a Revolução Cubana. A Verdade participou da mesa debate sobre este último tema, com a intervenção do jornalista Rafael Freire, que, entre outras questões, enfatizou a campanha desenvolvida pelo jornal, durante anos, em prol da libertação dos Cinco Heróis.
Mas o grande momento da 22ª Convenção ficou para o final. Edival Cajá, que presidiu os trabalhos, leu a Carta do Recife, uma enérgica declaração unitária de todas as organizações presentes e deu prosseguimento ao painel de encerramento, com o tema da libertação dos Cinco Heróis cubanos, que contou com o convidado de honra Gerardo Hernández, líder do grupo que lutava, em Miami, para impedir ações terroristas contra o povo cubano. Por seu trabalho revolucionário, Gerardo passou 16 anos preso nos cárceres norte-americanos e, só no dia 17 de dezembro de 2014, regressou a Cuba juntamente com outros dois camaradas, dos cinco, que ainda se encontravam detidos.
Recepcionado com uma explosão de aplausos e palavras de ordem, Gerardo foi atencioso com todos que queriam abraçá-lo e agradeceu o apoio dos brasileiros pela libertação dos cinco. “Não são vocês que têm que agradecer aos Cinco, são os Cinco que têm que agradecer a vocês. Agradeço por trazer-me, e não me refiro a trazer-me de avião, mas a trazer-me de volta a liberdade. Ao longo desses anos todos em que estive condenado a duas prisões perpétuas e mais 15 anos, só conseguimos resistir porque sabíamos que os povos do mundo lutavam por nós”, declarou. “Agora, mais do que nunca, precisamos seguir nesta unidade, em solidariedade e em defesa de Cuba. Não se pode baixar a guarda. Vocês, como nós, estão conscientes que os ventos que enfrentam a Revolução Cubana não são pequenos, mas confiamos no espírito de luta do nosso povo”, finalizou com a humildade e fé de um revolucionário, contagiando o plenário lotado. Os trabalhos da 22ª Convenção foram encerrados oficialmente pela embaixadora Marielena Ruiz, que convocou todos a permanecer mobilizados em defesa da Revolução Cubana.
A Verdade ainda realizou uma entrevista exclusive com Gerardo, com será publicada em nossa edição de julho.
O Estado de Minas Gerais foi aprovado, por consenso, como próxima sede da Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, que ocorrerá em 2017.
Ludmila Outtes e Thiago Santos