No último dia 18/11/2009 tivemos um encontro na Cátedra, onde em conversa informal com a Profª e doutora Daniela Ferreira e nosso grupo de estudo, percebemos alguns pontos de vista "bourdieunianos" bem interessantes. Vejamos a seguir:
Conservação no sentido da Escola ser um instrumento da menoria dominante para manter o sistema divido em classes e direcionando as pessoas para ocuparem cargos pre-determinados na sociedade. A elite, sempre bem preparada para continuar no poder, enquanto a classe oprimida é preparada para manter sua posição de submissão, atendendo as necessidades mercadológicas do sistema, seja consumindo os produtos de forma alienada e compulsiva, seja oferecendo sua mão de obra técnica, mal remunerada e com o mínimo de qualificação para desempenhar suas atividades de forma eficiente ao sistema. Como um ciclo onde as etapas se repetem enquanto as pessoas nem se dão conta de que papel exercem de fato na sociedade.
As forma e conteúdo trabalhados em sala de aula não tem esse padrão aleatoriamente, são muito bem projetadas para que a sociedade tenha essa formação que vivemos hoje.
Como as pessoas não percebem que são dominadas, não precisam se organizar para lutar contra o sistema, apenas o alimenta e defende, pensando tirar algum proveito dele.
No Brasil, por exemplo, não há uma identidade cultural própria. Tudo presente na sociedade atual possui uma forte influência norte-americana. Logo, a forma que nos é apresentada a construção cultural, em geral são aceitas sem resistência, isto a legitima.
Criticar aqui, é colocado como simplesmente apontar os erros, e elaborar uma opinião crítica seria refletir sobre todo o contexto sócio/econômico/emocional tanto dos alunos como dos docentes.
TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) separa o referencial teórico da prática (análises). Isto seria uma reprodução imediata da escola. O que Bourdieu sugere é que em trabalhos desse nível, se faça análises com respaudo teórico, simultaniamente;
Na sociedade atual, para se converter o arbitrário cultural em cultura legítima, sustentado pela classe dominante, em outras palavras, para que a escola funcione, essa cultura tem que ser disseminada de forma dissimulada, usando o implícito.;
Sugerimos a leitura do livro de Bourdieu "A distinção" para entendermos como se constrói o gosto e pensarmos um pouco mais sobre classes sociais. O livro explicita como se usa estrategicamente o gosto para a diferenciação destas classes.
Isto porque está instrinsecamente fixado nas mentes sociais uma competição "natural" por cargos. Quando essa competição é frustrada, aa pessoas trazem a culpabilidade toda pra si.
Há uma relação com o saber, como cultura legítima que legitima as ações do sistema de forma muito sutil.
Recomendamos ainda o livro " Os excluídos do interior";
Para Bourdieu não se define as diferenças de classe apenas pelo econômico, mas o patrimônio cultural é quase um determinante das ações e escolhas da massa.
Bem, essas foram apenas algumas pinceladas do teor de nossos encontros na Cátedra.
Só falta você. Venha participar conosco!